A minha experiência com a Síndrome de Irlen por Bruno Honda Leite

Desde que a minha esposa, a Fabi Guedes, começou a estudar sobre neurovisão, dentro de sua constante capacitação em neuropsicologia, eu venho, por tabela, aprendendo sobre a #SíndromedeIrlen. Já é uma jornada de mais de dois anos, agora. Calhou de, coincidentemente (nem tanto, na verdade, já que a prevalência aproximada é de 15% na população), ela ser portadora, assim como as minhas filhas #1 e #2 (o #3 ainda não fez a bateria de exames, mas é batata que tem).
Existem, basicamente, dois tipos de tratamentos, com graus de eficácia variável para cada paciente. Um é relativamente barato, através de folhas transparentes coloridas, as overlays (lá na página Irlen existe sim tem mais informações). O outro tipo é através de óculos, cujas lentes, em geral coloridas ou escuras, têm filtros específicos que corrigem a disfunção. Só que esses óculos custam, em média, mil dólares.
MIL DÓLARES.
Com um aperto aqui e ali, sacrificando férias e décimos terceiros (e uns consertos de batidinhas no carro que viraram cicatrizes de lembrança na lataria), conseguimos, em família, dar um jeito de tratar as meninas.
Foi um privilégio.
Esses valores altíssimos acabam sendo consequência de umas das leis de mercado mais antigas, a oferta e procura. Enquanto não tivermos a popularização do diagnóstico, é um mercado pequeno, que não vai interessar fabricantes brasileiros. E a solução nunca vai baratear, podendo ser utilizada apenas por poucos privilegiados, como aconteceu com quase todos tratamentos que utilizavam tecnologia de ponta, no início. Mas e quem não pode pode bancar?
Por isso, sobe uma irritação brutal quando vejo posts ou vídeos que tratam da SI como se fosse uma enganação. Como se falássemos que tratar a síndrome fosse igual tratar câncer de pulmão com elixir de casca de abacaxi. Ou tratar impotência com chifre de rinoceronte.
Não é. Tem evidências científicas consistentes e proprietárias ao redor do planeta.
O mais grave é que muitas dessas pessoas que insistem em desacreditar postam vídeos populistas em que a única certeza que fica é a enorme preguiça que tiveram de pesquisar. E muitas dessas pessoas são da classe médica ou profissionais da saúde.
Se as pessoas têm dúvidas, não estão convencidas, não há problema. Vamos debater, conversar. Entender.
Só não vamos chilicar sem conhecimento. Isso é disseminação do ódio. E só pode ser resultado de estupidez, má vontade ou, quem sabe, má intenção.
Depois desse textaço enorme, queria compartilhar uma carta que os médicos Márcia e Ricardo Guimarães, do H.Olhos de Belo Horizonte e referências em oftalmologia e pioneiros no estudo da SI no Brasil, escreveram, em base técnica, para ajudar a combater a desinformação entre seus colegas da classe médica.
Do post original, na página Irlen existe sim:
“Na carta, eles explicam o que é Síndrome de Irlen – disfunção da via neurológica magnocelular (uma das vias de processamento visual) – em texto mais técnico e com referência a estudos científicos.
Esperamos que este documento ajude a desmistificar algumas questões e que, dele, possam surgir novas propostas de pesquisa, que cada vez mais consolidem o conhecimento já reunido em torno da disfunção.
Para ver a carta na íntegra, é só clicar aqui: https://www.dropbox.com/sh/z14vjsxiu0qun1a/AAAgQ2iPQUPoBNRfYbDAitRra?dl=01b
#IrlenSyndrome #IrlenExisteSim

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