Ana Paula – Jornada do Luis Felipe até a descoberta do Irlen

Meu nome é Ana Paula sou mãe de dois filhos com síndrome de IRLEN, Gabriela com 10 anos e Luís Felipe 12 anos.

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Em agosto de 2012 o Luís foi diagnosticado com TDA e iniciou com a Ritalina LA  prescrita pelo neurologista que, na época, o acompanhava. Nesse período, o Luís já se encontrava na terceira escola e estava para repetir de ano. Foi quando tive a iniciativa de buscar uma quarta escola que fosse mais adequada para lidar com sua condição e onde ele se sentisse bem e acolhido. Achamos uma e  conseguimos com essa mudança evitar que ele repetisse de ano, através de seu esforço e do apoio da escola que aceitou seguir as recomendações para alunos com TDA.

Neste tempo todo, o Luís fez avaliações com psicólogos, terapeuta comportamental, terapeuta ocupacional, psicomotrocista, fonoaudióloga e teve escola de reforço.

Aos olhos da família e da escola, ele continuava disperso mesmo tomando a Ritalina LA. Ele começou com Ritalina LA 10 mg tomando pela manhã, como ficava no integral e precisava do efeito do remédio por mais tempo por causa do pedagógico que era a tarde, o médico que o acompanhava na época trocou pelo Concerta e esta foi a pior experiência, deixou meu filho hiperativo que se deixasse ele escalava a parede.

Ao vê-lo neste estado, a escola super preocupada me ligava constantemente pois não parava na sala de aula de tão agitado que estava, então ele saia correndo para quadra para gastar energia e eu chorava do outro lado do telefone desesperada sem saber o que fazer. Na época ele tinha 8 anos, liguei para o médico e implorei para que voltasse com a Ritalina LA, que era o único que não tinha deixado ele hiperativo, apesar dele ainda ficar disperso.

Antes de voltar para a Ritalina LA, foi prescrita para ele tomar o Venvanse, que também não deu certo, enfim, ele voltou a tomar a Ritalina LA 10 mg mudando o horário para tomar logo após o almoço, porém,  ainda tinha um gap que seria o período da manhã, o integral, onde ele teria que se concentrar para estudar e fazer as lições.

Então prescreveram a Ritalina comum de 10 mg, esta deixava ele irritado, angustiado. Enfim, quando terminou a caixa não dei mais. Como ele foi crescendo e ainda não estava tendo o efeito esperado, o médico prescreveu o aumento da dose da Ritalina LA que tomava após o almoço, de 10 mg para 20 mg. Na hora de dormir era um parto, não conseguia de jeito nenhum e quando relatei para a mesma medica que prescreveu a ritalina LA de 20mg, ela receitou risperidona para que ele dormisse. Mesmo assim não resolveu e não dei mais. Ele tomou durante uns dois meses.

Em maio de 2016 ele foi submetido a um exame de eletroencefalograma, onde deu uma pequena alteração, quando voltei ao médico com o resultado, ele prescreveu o remédio DepaKote.

Enfim, dei um basta já exausta e cansada vendo meu filho irritado, com a auto-estima baixa e tomando remédios fortíssimos, e sempre com aquela dúvida: será que ele precisa mesmo de tanto remédio? mas afinal, confiamos nas prescrições do médico, pois ele estava com um dos melhores na área.

Conversando com a psicopedagoga da minha filha, ela me indicou uma médica neurologista homeopática. Fomos nela onde nos pediu uma nova avaliação neuropsicológica, pois a que o Luis tinha feito era de 5 anos atrás.

Levei-o à terapeuta comportamental e durante a avaliação neuropsicológica, verificou que as dificuldades do Luis indicavam os sintomas do Irlen, pois ela é uma screener (profissionais capacitados a fazer o rastreio do Irlen). Foi ela quem descobriu a síndrome de irlen de grau severo no Luís Felipe. Na hora nem fiquei espantada mesmo não conhecendo e nunca tinha sequer ouvido falar nesta síndrome, eu só queria saber o que era e como deveria agir, visto que para muitos essa síndrome é uma novidade, mas pelas estatísticas, muito comum nas pessoas.

Ela me deu praticamente uma aula e recomendações de como fazer as adaptações para o Luís finalizar o ano letivo enquanto não íamos para Belo Horizonte no Hospital dos olhos consultar com a dra Marcia Guimarães, especialista nesta síndrome e a única profissional brasileira certificada pelo instituto Irlen com sede na Califórnia.

“Nessa época, o Luis estava com notas baixas em algumas matérias e caminhando para recuperação”.

Assim que falamos com a fonoaudióloga do Luis, registramos o teste de leitura em papel branco e no papel roxo indicado pela screener. Vejam o video e observem a postura, linguagem corporal e velocidade da leitura.

Video do teste de leitura no papel branco: Teste de leitura no papel branco

Video do teste de leitura no papel roxo: Teste de leitura no papel roxo

Corri com a adaptações: compramos as transparências chamada de overlay de cor roxa, que é a cor que ele se sentiu mais confortável. No caso dele, precisa de duas overlays para leitura. Compramos papeis A4 na cor roxa e mandei fazer um caderno pautado com divisórias facilitando assim o registro das aulas e escrita em trabalhos e provas. A escola de imediato nos apoiou nas adaptações e até rodou os trabalhos e provas na cor roxa.

A diferença foi de imediato, passou sem nenhuma recuperação

Claro que cada caso é um caso, e as vezes precisamos entrar com medicação. Agora que sabemos do Irlen, podemos falar aos que estão em dúvida sobre se iniciam ou não o uso da medicação, questionem e façam o rastreio do Irlen, pois no caso do Luis, estima-se que 70% da dispersão dele é causada pelo irlen e se soubéssemos disso há 5 anos, poderíamos ter evitado muito sofrimento ao Luis e todos os que o acompanham.

Graças a Deus e aos profissionais que cruzaram nossos caminhos no segundo semestre de 2016, ele iniciou o ano letivo sem o uso da ritalina.

Até a chegada do óculos com filtro, o Luis está utilizando o overlay e o caderno pautado na cor roxa. A escola já distribuiu o material que recebemos do hospital dos olhos e conversou sobre Irlen com os professores. Até o momento está tudo bem nesse início de ano letivo.

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