Antonio – a descoberta da síndrome de irlen

Meu nome é Antonio, tenho 36 anos, concursado desde 1999, sou casado e tenho um filho.

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Nos primeiros dias de dezembro de 2016 recebi meu diagnóstico de portador da Síndrome de Irlen.

O que muitos poderiam considerar algo ruim, foi recebido por mim com muita serenidade,  até mesmo alegria, já que o tratamento significaria a concretização da esperança de uma vida melhor.

Explico, embora tenha me destacado positivamente durante minha vida escolar, acadêmica e profissional, comecei a sentir uma série de dificuldades conforme a idade avançou. A leitura já estava mais desgastante, ficar na frente de um computador insuportável, estudar por meio de arquivos PDF impossível, o que me fez sofrer muito para concluir minha pós-graduação. Mas acreditava ser o sofrimento parte do processo e tentava seguir adiante.

Outro aspecto afetado e que considero bastante relevante foi o emocional.

Ultimamente vivia muito angustiado diante dos desafios encontrados e minha capacidade reduzida para enfrentá-los.

Tentei me dedicar ao preparatório para concursos de cargos mais bem remunerados, no entanto o esforço não estava tendo o retorno esperado. Toda vez que acrescentava o estudo para concursos na minha vida, tudo se tornava insuportável a ponto de comprometer minha convivência com as outras pessoas.

Meu irmão mais novo, Rafael, havia sido diagnosticado como portador da SI anos antes de mim. Para minha sorte, ele passou num concurso para trabalhar perto de onde moro em 2014. Ele foi muito obstinado a respeito de me convencer a fazer os exames, mas eu não consegui acreditar que alguém com o desempenho escolar que tive poderia ser portador da Irlen. Ele também apresentava sintomas que não eram nem um pouco conhecidos por mim. Restava, ainda, a preocupação financeira de gastar um recurso considerável em algo que eu, sinceramente, ainda não acreditava que ocorresse comigo e a pressão de alguns conhecidos que praticamente desconsideravam os estudos a respeito da síndrome.

Certa vez até comprei as passagens e marquei o protocolo de exames no Holhos. Porém, deixei de ouvir minha intuição e dei voz à “razão” e optei por procurar uma “screener” a fim de  verificar se eu também teria o mesmo diagnóstico do meu irmão. A ocasião foi bastante proveitosa para tratar algumas questões emocionais e, ao final, o diagnóstico não foi confirmado. Então passei a acreditar que os meus problemas eram todos de ordem psicológica.

No entanto, mesmo tendo feito terapia e tentado aplicar os ensinamentos no meu cotidiano, logo tudo voltou a ser do mesmo modo, sofrimento atrás de sofrimento. Ainda faltava algo, havia um “X” da questão ainda não resolvido.

Quando experimentei pela primeira vez os filtros, fiquei extremamente espantado com o resultado! De pronto, já senti a musculatura que fica entre as sobrancelhas relaxar e uma paz interior! É isso mesmo, paz interior, uma sensação de alívio, como se tivesse tirado das minhas costas uma mochila que pesava uma tonelada!

Prosseguimos o protocolo de exames e outras surpresas apareceram. Primeiro, pude perceber que, ao olhar para o trânsito com os filtros, o fluxo do tráfego parecia mais lento. Fiquei até assustado e a Dra. Márcia me explicou que não eram os carros mais lentos e, sim, meu cérebro trabalhando a informação visual de forma contínua! Depois, ela mostrou algumas fotos de revista e percebi que, agora, as imagens possuíam cores mais intensas, combinação progressiva das cores, e muito mais detalhes! Enfim, foi experimentar os filtros para encontrar o que faltava!

Hoje, prossigo na minha adaptação ao mundo novo que me foi apresentado, sabendo que cada pessoa tem seu tempo e merece respeito. Sou extremamente agradecido ao meu irmão e melhor amigo Rafael, à Dra. Márcia Guimarães, por ser uma pessoa excepcional, dotada de uma sensibilidade sem igual e pelo pioneirismo no tratamento da S.I. no Brasil, e também, à minha família pelo apoio incondicional nessa nova fase!

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