Bárbara Assis – a descoberta da síndrome de irlen

Meu nome é Bárbara Assis e tive uma infância bem complicada na minha educação infantil.

Barbara1Eu fazia um esforço enorme para segurar o lápis com firmeza. Como  queria ter uma letra linda!!!!

Ainda me lembro do terror na alfabetização!!!!

Na escola tradicional de regime rígido, onde os meus castigos eram no sol quente porque eu não ficava quieta, e levava sacudidas porque não conseguia responder a tabuada, porque via os números dançando. Alcancei a alfabetização no mesmo ano que meus coleguinhas,  porém seis meses depois, a direção da escola achou um absurdo uma criança não ler ao mesmo tempo que as outras naquela escola de renome e contrataram uma especialista que ficava comigo todos os dias após a aula por uma hora.

Em uma semana, ela testou todos os métodos  e quando usou o método fônico com letras ampliadas eu finalmente tive um “estalo” após ela dizer para olhar para os lábios dela e pra letra e os fonemas, então eu disse: Ah!  essa letra faz esse som? Eu já entendi. E em uma hora li metade da cartilha que não havia lido durante o semestre. Após isso li a Roupa Nova do Imperador de Hans Cristian Andersen. Minha mãe lia os capítulos quando eu cansava e adormecia. Meu pai me dava discos de vinil com histórias clássicas e também músicas variadas.

Eu também tinha uma comorbidade que se manifestou até os cinco anos, que era convulsões.

Nunca enxerguei de lado e por isso fui atropelada por uma bicicleta  aos seis anos ao descer do ônibus. Aos vinte anos caí de uma escada no terceiro andar por não ter dimensão de profundidade e achar que estava pisando no degrau. Aos vinte e um anos fui atropelada  pois tive uma distorção visual , uma flash branco como uma cegueira repentina diante do sol forte.

Fiquei mais sensível ainda nos estímulos sensoriais. Nunca tive maldade com relação as pessoas. Sempre fui revolucionária com extremo senso de justiça. Eu era presidente do Grêmio estudantil da escola de formação de professores, cursei letras, Português, Inglês, literaturas; Atendimento Educacional Especializado, fui mãe e quase morri  por isso, mas faria tudo novamente.

Barbara e filhoQuando percebi  nos meus filhos as semelhanças nas dificuldades na leitura eu entrei em desespero e após passar por muitos neurologistas, sem nenhum diagnóstico plausível e com trauma deles passarem por tudo que passei, comecei a investigar. Finalmente fui diagnosticada como portadora de Sindrome de Irlen pela fonoaudióloga e screener Aleksandra e pela Dra Márcia Guimarães.

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Diante de tudo que passei isso, luzes estroboscópicas, chegar a passar mal, até vomitar,  preferência por dias de chuva e passeios em dias cinzentos. Querer ser a Tempestade dos X- Men, idas à praia antes do sol brilhar ou em dias nublados, leitura e releitura por toda a vida, a vida em feedback, slow-motion para coreografias que se tenta aprender, bolas que eu não via chegar,  bicicleta que eu nunca andei, faróis xénon que me deixam com cegueira provisória, escutar todos os sons ao mesmo tempo sem filtrar o que interessa, passar mal com todas as luzes artificiais e luz do sol, passar mal com todos os sons, cair das barras de brincar no parque, não ter noção de profundidade, distância; tropeçar e esbarrar em tudo e em todos a todo tempo, derramar o almoço da faculdade em sua própria roupa, passar mal com um transporte em movimento, ficar muito mal num cinema 3 D, ser chamada de esquisita, sofrer exclusão, segregação.

Achar que é de outro planeta e se acostumar a ver tudo com flash e dormir de repente, até o dia que se descobre que a Síndrome de Irlen é  tudo isso que citei a cima. E mais um pouco.

Barabara varia FotosMas agora sou mais uma pessoa lutando pelo reconhecimento da S.I.. Mais uma pessoa em processo de neuroadaptação, que fez tão bem que o marido diz que ganhou uma nova esposa. E pergunta onde eu estava que não apareci logo. Eu renasci mais uma vez e de mim surgiu mais uma eu.

Atualmente eu trabalho na Educação Especial da Prefeitura de Nova Iguaçu no Rio de Janeiro. Meu público alvo são crianças com Transtorno do Espectro Autista, Paralisia, segui e cursei Pedagogia, Psicopedagogia, Educação Especial e já planejo outra graduação na área da saúde. Hoje sou Screener em Síndrome de Irlen. Sei como driblar a síndrome, uso até protetor auricular para diminuir o impacto da acústica em palestras e cursos. Uso chapéu e filtro, evito sol forte quando posso.

E viemos driblando algo, criando estratégias sem saber que esta síndrome nos consumia em cansaço. Pois é, temos S.I. e chegou a hora das cores e das intervenções.
Foram muitas fugas do sol, distorções visuais, dores de cabeça, sonos subtos, dores no estômago, vertigens, ver flashs de luz; fotofobia extrema, bancar walking Dead no Rock in Rio por ter uma sobrecarga sensorial por causa das sensibilidades sensoriais.

Meu sonho é encontrar muitas crianças iguais a mim e junto com a Fundação H.Olhos, Dra Márcia Guimarães realizar um grande projeto.

Barbara cerebro

Barbara Dra Marcia Dr Ricardo

Barbara certificado

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