Josiane – depois de um ano com os óculos irlen

MIXL5515Há um ano escrevi sobre as expectativa de uma nova vida depois dos óculos irlen.

E hoje prometo, que serei a mais sincera possível. Pois tive muitas alegria, isso é verdade, mas também, muitos desafios que sinceramente não pensei que iria enfrentar.

Como já contei no meu depoimento anterior (Josiane – a descoberta da síndrome de irlen aos 41 anos), descobri que tinha a Síndrome de Irlen aos 41 anos, depois do diagnóstico de meu filho Rafael.

Se tive que fazer adaptações para o Rafael, há isso eu fiz. Mas como fazer adaptações para uma pessoa que já está no mercado de trabalho, cheia de maus costumes?

Quarenta anos de estratégias, de respostas equivocadas a diversas situações.

Como dizer a colegas e amigos que tudo deverá ser diferente, ou melhor, como me convencer de que devo fazer diferente?

A primeira coisa que percebi quando comecei a usar os óculos foi como se uma turbina de avião tivesse sido desligada dentro de minha cabeça. Pela primeira vez na vida senti um silêncio que eu nunca havia presenciado. Só havia ouvido falar.

Silêncio este que me fez perceber que muitas, e quando digo muitas, é muitas vezes, respondi a todos no automático sem pensar ou analisar a melhor resposta que deveria dar. E a minha resposta era a pior, um sim automático que me fazia acumular todo e qualquer tarefa do meu cotidiano. Tinha dia que estava envolvida em tantos projetos ao mesmo tempo que no final acabava por fazer mal feitos. E a culpa era minha, porque não tinha dito não, porque não tinha dito que não podia fazer. Ou melhor, porque não havia ponderado sobre a situação.

O barulho que havia em minha cabeça, me fazia sentir a fala das pessoas aos gritos, um simples pedido me soava como uma ordem, uma simples orientação com um tom mais incisivo de voz, como uma bronca.

Sempre sentia que as pessoas estavam gritando comigo. Isso sempre me colocava em armadilhas, por causa da percepção equivocada.

De repente um óculos e tudo muda. As cores ficam mais nítidas, os espaços mais amplos, os sons mais compreensíveis, a mente mais fácil de acompanhar.

É, eu começo a me questionar: O “Não” começa a aparecer. E a pessoas que estão em meu entorno são as mesmas, quem está em um mudança louca sou eu. E bem! Tive que ir para terapia, primeiro para entender meu passado, organizar a bagunça. Depois para começar a ponderar minhas atitudes.

Como eu disse, quarenta anos, não são quarenta dias. Havia aprendido a responder tudo e qualquer coisa com ansiedade. O que me rendeu um transtorno de ansiedade, com compulsão alimentar (quem me vê magrinha hoje, não sabe que passei por uma cirurgia bariátrica).

Então, no meu caso, é ensinar a um cachorro velho, truques novos. Reconfigurar meu comportamento, mudar minhas atitudes, sem deixar de ser quem eu sou. Na realidade, desenterrar a verdadeira Josiane, que sempre esteve aqui escondida em meio a tanta coisas que não me pertencia.

Descobrir que eu tenho Irlen me trouxe muitas coisas:

  • uma alegria, pois muita coisa que aconteceram comigo tinha um motivo e uma explicação;
  • uma libertação, pois fui libertada do meu medo de dirigir
  • me tornei uma mãe melhor para o Rafael.

Hoje busco me organizar para poder alçar voos mais altos. Acho que estou me tornando uma pessoa muito melhor, para mim mesma. Minha auto estima melhorou, e aos poucos estou mudando muitas coisas. Como é bom poder acompanhar meus pensamentos e ver como o mundo é lindo.

Obrigada Dra Márcia e Dr. Ricardo, por nós dar o direito de ter uma qualidade de vida melhor.

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