Márcia – O desabafo de uma mãe

Você já ouviu falar na Síndrome de Irlen?

Alguns autores a chamam de “dislexia visual”. Trata-se de uma dificuldade de leitura em que os prejuízos estão relacionados a desorganização das informações visuais no SNC (Sistema Nervoso Central) e que são agravados quando os textos possuem letras pretas e fundo branco. Tal desorganização acaba gerando distorções nas imagens e sintomas como maior sensibilidade a luz, além de fugas de leitura como mecanismo de defesa. No Brasil, essa Síndrome é pouco conhecida, apesar de já ser estudada há mais de 30 anos nos EUA e estudos indicam que afeta 15% da população.

HeitorO Heitor assim como outras crianças que apresentam a síndrome, teve um sugestivo diagnóstico de hiperatividade, uma vez que a queixa principal do educador era a agitação excessiva, porém após avaliação e intervenção psicológica, o diagnóstico final foi altas habilidades e não hiperatividade.

Para o devido acompanhamento posteriormente foi encaminhado para a psicopedagogia. Ainda assim algo nos intrigava muito, como uma criança com altas habilidades lê e escreve tão mal? Foi onde a Psicopedagoga e Screener Elizabeth R. Bacini fez o correto diagnóstico, as devidas intervenções e principalmente as orientações para os pais e especialmente a escola.

Hoje ele utiliza esses óculos todos os dias, inclusive a noite e em ambientes fechados, o que melhorou muito o desenvolvimento dele na leitura e a inquietação em sala de aula e em lugares públicos.

É preciso enfatizar que a Síndrome de Irlen não interfere no desenvolvimento intelectual da criança ou do adolescente. O Heitor, por exemplo, é um grande inventor, muito sociável e participativo, se incomoda muito quando lhe perguntam o porquê dos óculos escuros. Ele alega não suportar mais responder a mesma coisa. Assim, buscando soluções para aliviar o desconforto do meu filho, criei a camiseta acima. Agora, quando lhe perguntam o porquê dos óculos, ele aponta direto para a mesma mostrando para as pessoas:

“Não uso porque quero, mas porque preciso”.

O olhar diferenciado da instituição de ensino e principalmente do educador são fundamentais para o correto diagnóstico não somente da Síndrome de Irlen mas também de outras alterações e assim diminuir o excesso desnecessário de medicações.

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