Neuza – a trajetória de Wallison

Meu nome é Neuza, sou mãe de Wallison 15 anos e Letícia 7 anos e moramos em Brasília – DF.

Neuza e WallinsonA gestação do Wallison foi muito difícil. Ele nasceu de 32 semanas e com apenas 1,9 kg, ficando na incubadora por uma semana.

Ele chorava muito, era agitado até mesmo para mamar.

Com um ano e nove meses, o coloquei na escolinha meio período, porque era muito agitado e eu precisava trabalhar.  Mas como a professora não conseguia mantê-lo em sala de aula, ele ficava ajudando na escola.

Aos 4 anos de idade, a professora me chamou para conversar e disse: “Seu filho é preguiçoso e não quer aprender. ”

Sempre foi um menino muito esperto, ativo, curioso, mas muito agitado e estabanado, acabava machucando muito outras criança e a si mesmo.

Todos os pediatras que eu levei, diziam que ele era hiperativo e a terapeuta ocupacional dizia que ele não tinha nada, que precisava de limites.

No entanto, ele não conseguia fazer registros no caderno e também não lia com facilidade. Ele podia usar o mesmo caderno todos os anos.

Levávamos todo o ano para fazer exames de vista e nunca apontava nenhum problema visual. Os oftalmologistas, diziam que ele enxergava muito bem.

Aos 8 anos, eu o coloquei em um reforço escolar, e a professora notou que ele tinha dificuldades em fazer cópias, pois acompanhava com o dedo a leitura, então a professora deixava ele somente copiando textos, com isso Wallison ficava com mais raiva ainda de copiar e de ler, criando até mesmo um certo trauma e eu não entendia o que acontecia com ele.

No quinto ano, a diretora me chamou e perguntou se havia algo de errado com meu filho: “porque ele é um pouco lento… né?

 E com muita dificuldade, ele passava de ano.

 Eu, trabalhando fora, com outra criança pequena e enfrentando problemas de saúde como: tumor no abdômen, seis meses cega, pois estava com tumor na hipófise pressionando o nervo ótico e com meu esposo brigando por ficar até tarde estudando com ele, eu tinha que ler e fazer resumo de livros, porque ele não tinha a matéria no caderno.

Por muitas vezes brigava com meu filho e o colocava de castigo, ameaçando-o tirar da escola se não estudasse. Ele chorava e dizia que queria aprender, mas que não sabia o porquê de não conseguir.

Dizia também que entendia quando eu fazia a leitura em voz alta, mas quando era ele que tinha que ler, não entendia nada.

Falava que não sabia como os outros alunos conseguiam copiar tão rápido e ele não.

Só tive certeza que tinha algo errado quando coloquei de castigo dentro do quarto e o proibi de ligar a TV, celular e computador.  Deixei minha secretária, que cuidava deles, de olho nele para eu poder ir trabalhar.

Trabalhei a tarde toda e quando cheguei ele ainda estava no quarto e não havia ligado nenhum eletrônico, mas também não havia feito o dever.

Foi quando pensei: Qualquer criança que não tivesse nenhum tipo de dificuldade, teria feito o dever, mesmo que fosse todo errado para poder sair do quarto.

Neste momento tive certeza que havia algo de errado e comecei a investigar.

Levei ao Neurologista e no exame apontou alterações no DPAC (Processamento Auditivo Central), onde foi receitado Ritalina LA.

Fiquei muito contente achando que tinha descoberto a causa dos problemas do aprendizado do Wallison, porém não houve melhoras.

Fui em outra Neurologista que aumentou a dose da Ritalina LA para 2 vezes ao dia, porém nem cheguei a dar, pois não havia obtido nenhum efeito antes.

Ele fez 9 meses de terapia em uma Clínica em Taguatinga e nada de melhoras.

Sem compreender o que se passava, resolvi tirá-lo da escola particular, pois assim a pressão seria menor, caso ele não conseguisse passar de ano.

Foi quando consegui compreender um pouco a situação, pois ele foi estudar na mesma sala de outros adolescentes que o conhecia, ficando mais fácil saber o que se passava com ele em sala de aula, assim eu não ficava achando que ao invés de estudar ele ficaria conversando em sala de aula o tempo todo.

Os meninos da turma acabavam me ajudando, falando o que acontecia com ele em sala de aula, como por exemplo, não dar conta de copiar e acompanhar a turma.

Muitos dos colegas chegavam a copiar para ele, outros emprestavam o caderno para que ele atualizasse em casa, mas alguns colegas não entendiam e não o aceitavam bem no grupo.

Na reunião de pais em julho de 2016, a professora me perguntou o que acontecia com ele e eu expliquei que estava tentando descobrir. Perguntei a ela se era porque ele conversava muito em sala de aula. Ela disse que não, que ele não conversava tanto assim.

Depois fiquei sabendo que quando Wallison era menor, chegou a ficar várias vezes sem recreio por não terminar as tarefas e o motorista que fazia o transporte dele reclamava direto dizendo que ele era sempre o último a chegar.

Em Julho de 2016, levei novamente   em uma fonoaudióloga que me indicaram depois de ter levado em várias, mas esta era especializada em distúrbio do aprendizado, Dra. Renata Monteiro, que para minha surpresa, ela conseguiu detectar o problema. Nossa!! Não acreditei, quando ela me disse, parecia um sonho! Chorei de emoção!  Jamais iria imaginar algo assim.

Fomos ao Hospital dos olhos em Belo Horizonte e foi confirmado o diagnóstico do Wallinson. Ele é portador de Síndrome de Irlen categoria severa, com as seguintes distorções visuoperceptual que manifestam durante a leitura rios, redemoinho e borrado.

Imagens de distorções que o Wallison apresenta:

Rios 

rios

Redemoinho 

Redemoinho

Borrado 

Borrado

Sempre desejei que meu filho fosse altamente capaz de tomar decisões e fazer  as suas escolhas. E sempre o achei muito dependente e assustado. Mas hoje entendo que tendo estas distorções visuais, ele não conseguiria.

Agora e tudo está sendo diferente, ele está se adaptando aos óculos e muito feliz, cursando o 1 ano do ensino médio e nunca foi reprovado.

Agradeço a Deus que nos deu força e pelos os profissionais maravilhosos que nos ajudaram no diagnóstico correto.

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