Pollyanna – Psicóloga – A descoberta da Síndrome de Irlen na idade adulta

PollyannaTenho 34 anos e acabo de ser diagnosticada (fev./2018) com Síndrome de Irlen e ainda estou em investigação para Dislexia, o que é bastante provável que se confirme.

Sou Psicóloga e desenvolvi toda a minha trajetória profissional na área de desenvolvimento humano e negócios e nunca tive muito interesse por Psicologia da Educação, talvez por isso mesmo sendo Psicóloga nunca me dei conta das minhas dificuldades de aprendizagem. Mas fato é que durante anos desenvolvi várias estratégias para driblar as dificuldades que tinha tanto de leitura quanto de escrita até que um dia, há cinco anos, vendo TV com a minha mãe apareceu uma reportagem falando sobre a Dislexia dando foco nas estratégias que as pessoas desenvolvem para lidar principalmente com as funções executoras da vida. Para minha surpresa, eu me encaixava em todas as estratégias, ainda resisti um pouco em buscar um diagnóstico, mas no final de 2017 resolvi ir atrás para entender melhor e busquei uma avaliação.

Foi então que por indicação de uma amiga Psicóloga fui parar num grupo de pesquisa só para adultos da USP que busca diferenciar o diagnóstico entre TDHA e Dislexia. Lá para mais uma vez me surpreender, veio o diagnóstico de Síndrome de Irlen, algo que eu nunca tinha ouvido falar antes.

Durante o teste me assustei bastante porque o que eu falava para descrever as formas que eu via era exatamente o que aparecia depois no título da próxima página (ex.: parece um rio descendo pela página). Fiquei surpresa quando a profissional me explicou que aquele não era um estímulo proposital para que todos os seres humanos enxergassem da mesma maneira que eu enxergava, ou seja, com alguns efeitos malucos. E o mais mágico disso tudo é que como coaching ontológico me vi ali constatando o que um Humberto Maturna, um Biólogo Chileno super reconhecido internacionalmente diz que é simples e fascinante:
“Tudo que é dito e dito por um observador.”
O desafio da convivência passa por não acreditar que a maneira como o mundo se apresenta para você seja exatamente da mesma maneira que o outro vê o mundo. E mais o maior desafio da convivência é conviver com o outro tendo o outro como legítimo outro na convivência.
E um detalhe intrigante e ainda mais mágico para mim. Ele provou esta teoria via estudos da estrutura biológica e neurológica da visão. Muita conexão com os estudos sobre Irlen.

Depois de toda magia da descoberta, fiquei pelo menos uns três dias assim meio confusa. De concreto só conseguia pensar que pelo menos a minha mania por óculos escuro inclusive em lugares fechados (já me chamaram de antipática e sem educação por isso várias vezes: “usa óculos para distanciar aquela metida” até isso já escutei), todo o meu esforço para ler, a falta de noção de profundidade para andar sem contar aqueles m* exercícios oftalmológico que fiz na infância, as brincadeiras por horas debaixo da mesa, poxa parecia que tudo passava a ter uma explicação plausível e até libertadora.

Depois dos dias de espanto comecei a ler sem parar e daí fiquei triste de pensar que tem ramos da ciência que ainda não reconhecem o fenômeno, mas daí te pergunto, o que será que eles dizem ser, o que a gente vê? Não encontrei ninguém que refuta a existência da Irlen, mas que traga uma explicação para o conjunto de sintomas. Complicado, muito delicada essa discussão toda, mas tenho esperança que tudo um dia será explicado.
Depois da tristeza e da esperança achei este blog e fui adicionada num Grupo super acolhedor de pessoas que vivem com a Síndrome de Irlen. Meus colegas de óculos escuros e lentes coloridas.
Escrevo aqui para compartilhar a descoberta da Síndrome de Irlen na idade adulta e todo o meu processo e, com isso, espero também poder ajudar e me coloco à disposição de quem queira partilhar do assunto e também como profissional.

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