Raquel – a trajetória de Nicolas

Meu nome é Raquel, sou mãe do Nicolas de 9 anos e moramos em Campinas – SP.

 raquel-e-nickA descoberta da Síndrome de Irlen para nós aconteceu depois de muita luta e lágrimas.

Nicolas é um menino esperto, ativo, feliz e muito querido por todos. É prestativo, interessado e muito amigo.

Em 2015 quando estava no 2º ano, a escola começou a me preocupar dizendo que ele estava mostrando desinteresse nas atividades chegando a atrapalhar os colegas de sala.

Eu e meu marido conversamos muito com ele e não conseguíamos entender o porquê na mudança de comportamento. Até então, ele conseguia realizar as atividades em sala de aula satisfatoriamente.

O Nicolas tem alta miopia e usa óculos desde os 2 aninhos. Fazemos um acompanhamento anual e não imaginávamos nenhum outro problema visual.

Em 2016 já no 3º ano, a dificuldade na escola começou a aumentar. A professora me chamou e disse que estava preocupada se ele estava enxergando bem, pois não estava conseguindo copiar as atividades da lousa, começou a se atrasar muito nas lições e a caligrafia começou a ficar muito ruim.

 Ele tentava fugir ao máximo das atividades, pedindo para ir ao banheiro, para beber água… se distraindo fácil e conversando com os colegas. Começou a precisar de ajuda da professora na cópia das atividades.

Em casa sempre estive atenta, mas achava que a dificuldade na leitura era normal por estar em alfabetização e por conta da alta miopia.

A professora dizia que apesar de se distrair fácil, com as atividades orais ele era muito atento. Mesmo atrasado nas atividades quando ela estava explicando ele participava e respondia. Ouvidos sempre atentos.

Então comecei a procurar ajuda, pois a professora me dizia que se continuasse como estava, ele “não daria conta” do 4ºano.

Começava então nossa luta…

Procurei uma Psicopedagoga que avaliou o caso dele e descartou TDAH e/ou Dislexia, para ela seria mais imaturidade da parte dele, e que trabalhando isso conseguiríamos um bom resultado. Mas ela também se preocupava com a visão, ele sempre colocava tudo muito perto para poder ler, apertava os olhos.  Tínhamos a sensação de que não estava enxergando bem.

Para completar matriculei ele no Kumon, achando que também poderia ter um resultado.

Nesse meio tempo marquei uma consulta com um Neuropediatra. E foi aí que tudo começou a clarear.

A Neuro pediu exames de Processamento Auditivo e uma avaliação neuropsicológica. No consultório ela diagnosticou a Disgrafia e sugeriu Terapia Ocupacional.

Começamos com a terapia e fomos fazer os exames pedidos.

A consulta com a neuropsicológa foi muito interessante, ela nem chegou a ver o Nicolas, conversando comigo e com meu marido, levantando informações importantes desde a gestação ela disse que seria interessante o Nicolas fazer uma exame de Processamento Visual, pois precisaríamos ter a certeza da qualidade da visão dele antes de fazer os teste de QI.

Ela me indicou uma Oftalmologista e Screnner, que faz o exame de Síndrome de Irlen e disse que depois do resultado decidiríamos os próximos passos.

E lá fui eu pesquisar sobre o Processamento Visual… descobri então o mundo da Síndrome de Irlen.

Em agosto de 2016 o Nicolas fez o teste de rastreamento com a Screnner e eu me afoguei em lágrimas ao ver meu filho lendo perfeitamente, sem chegar tão perto do papel e seguro de si.

Respondendo o questionário com a Screnner, ele disse coisas para ela que nunca havia me dito.

Disse que quando a professora abria a persiana, a lousa ficava branca e ele não conseguia enxergar, disse que a cabeça doía sempre, mas ele não me contava senão eu iria dar remédio para ele e disse também que os olhos ardiam e doíam muito.

Como eu não percebi tudo isso? Me culpei, chorei, fiz tudo que uma mãe arrependida por brigar tanto com o filho faz.

Hoje olhando fotos de quando ele ainda era bebê, percebo que ele sempre forçou os olhinhos, sentindo a fotofobia que a Síndrome de Irlen causa. Ele aprendeu a conviver com isso e o “start” veio quando o stress visual ficou mais pesado na escola.

Pesquisei muito, li tudo que encontrei sobre a Síndrome de Irlen.

Em setembro de 2016 fomos para o Hospital dos Olhos em Belo Horizonte, Minas Gerais para fazer o diagnóstico completo com a Dra. Márcia Guimarães.

Constatado: Síndrome de Irlen em Grau Severo.

O Nicolas ia precisar dos Filtros. Voltamos de lá com um turbilhão de novidades, dúvidas e medo de como seria dali em diante.

Além da alta miopia (7,5 graus) o Nicolas tem Síndrome de Irlen, e disgrafia.

De setembro até o final das aulas ele usou a Overlay e tentamos fazer todas as adaptações possíveis para que ele pudesse ter um bom desenvolvimento na escola.

Por conta da S.I., o Nicolas tem os outros sentidos muito desenvolvidos. Apesar de ter apresentado uma alteração no Processamento Auditivo, ele desenvolveu uma ótima memória auditiva e passou para o 4º ano do ensino fundamental I.

Recebemos os óculos no final de Dezembro e ele tem usado diariamente, até mesmo por ser um óculos de grau. Ele se acostumou rápido e não fica sem os óculos em nenhum momento.

Ele diz que é sua proteção!

Ainda estamos fazendo as terapias, acompanhamento com a Neuro, fazendo as adaptações na escola e lutando para que todas as pessoas envolvidas com ele saibam o que é a Síndrome de Irlen, que o Nicolas é uma criança super capaz de realizar todas as suas atividades, porém precisa de uma ajudinha extra.

Os filtros trazem um enorme conforto visual, porém os déficits adquiridos ao longo do tempo precisam ser tratados.

Sempre que estou angustiada me lembro de uma frase que a Dra. Márcia me disse no consultório: “Não pense que seu filho tem uma deficiência, ele apenas tem uma sensibilidade muito maior do que as outras pessoas. Você precisa de luz para enxergar o mundo, ele não.”

Nossos pequenos Portadores de Síndrome de Irlen não precisam da luz do mundo porque eles têm luz própria! Vieram nos ensinar a lidar com as diferenças, com as dificuldades, a nos ensinar a ser mais pacientes, a não desistir no primeiro obstáculo. Vieram nos ensinar que o amor de Mãe, o amor de Pai supera qualquer dificuldade.

Obrigada pela oportunidade de compartilhar nossa história com vocês!

Raquel e Nicolas

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