Silvia – A vida depois da descoberta da Irlen

Meu nome é Silvia, mãe de Bia, portadora de Síndrome de Irlen. Somos do Estado de São Paulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2010 uma amiga que tem um filho com TDAH me falou sobre uma síndrome que ela encontrou na internet e que tinha tratamento somente em um hospital de Belo Horizonte.

Nós trocávamos muitas idéias porque minha filha Bia também tinha diagnóstico de TDAH e muitas histórias de dificuldade de aprendizagem, dores de cabeça e tonturas. Nesta época ela tinha 12 anos e eu já estava desanimada com tantos médicos, pedagogos, psicólogos e nada funcionava.

Desde pequena, Bia sempre foi muito inteligente e expressiva mas tinha dificuldades de leitura. Não conseguia escrever em cima da linha do caderno, estudávamos juntas para as provas, eu lia a matéria para ela e ela repetia tudo direitinho.

Na hora da prova, e passar para o papel, não sei o que acontecia, as notas não combinavam com o tanto que ela sabia.

Como ela se expressava muito bem, os professores duvidavam que Bia tivesse alguma dificuldade.

Além disso, enquanto ela crescia percebia que andava pendendo o corpo cada vez mais para o lado direito, os pezinhos no chão estavam sempre inseguros, tinha medo de escadas e de bolas. Parecia estar sempre suspensa no espaço como aqueles astronautas em gravidade zero.

Não havia muitas informações sobre a Síndrome de Irlen disponíveis naquela época, ainda mais aqui no interior de São Paulo.

Juntei a força, coragem e a fé, liguei no Hospital de Olhos para marcar uma consulta.

Ainda me lembro de quando saímos naquele dia de manhã para o aeroporto, coloquei nela uma medalhinha de São José que ela ganhou da avó quando nasceu, dei um abraço apertado e disse: “Vai dar tudo certo”.

E esse foi o inicio da nossa caminhada.

Em Belo Horizonte, no consultório da Dra Márcia, o rosto da minha filha ficou iluminado, ela me disse: “Mãe eu via o mundo todo errado!”. Levou um mês para chegarem as lentes da Califórnia e durante este tempo ela ia todo dia na portaria do condomínio conferir o correio.

Seis meses depois ela já lia tudo sozinha.

BeatrizClaro que isso não foi um milagre, nem a cura, mas um acerto de rota. Ela continuou com as dificuldades do TDAH, mas depois do tratamento da Irlen os outros tratamentos passaram a fazer sentido e a dar resultados.

Mesmo a discalculia, que é tão pouco conhecida, tenho fé que vai melhorar assim que ela passar a ter uma percepção melhor do espaço, graças aos prismas acrescentados nas lentes.

Na última consulta que realizamos agora em 2017 os resultados dos exames deram 100% de compreensão de leitura e isso é uma vitória!

Hoje Bia adora ler, lê em média um livro por semana. Todo dinheiro que ela ganha, gasta em livros! Além disso, é escritora de fanficcions e vai tentar a faculdade de lingüística no fim do ano.

 

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