Vera – a trajetória de Vitor

Meu nome é Vera sou mãe de Vitor.

familiaVera_Vitor Meu filho tem 12 anos. Quando era bebê, não gostava de sol, eu tinha que cobrir os olhos dele com um paninho. Ele vivia com os olhos lacrimejantes, às vezes acabavam inflamando. Pensei que tivesse entupimento do canal lacrimal, não tinha.

Maiorzinho, não nomeava cores. Pensei em daltonismo, nada. Foi atropelado pelo vizinho de bicicleta, que disse, muito chateado, que meu filho tinha entrado na frente da bicicleta. Para meu filho, a bicicleta estava muito longe. Resultado: três pontos no supercílio.

Na alfabetização na escola, ele lia sílabas e palavras isoladas. Ler uma linha não dava, ao ler três ou quatro linhas ele acabava com fortes dores de cabeça e, com frequência, diarreia. Às vezes, vômito.

Sou professora de Letras e o Vítor é o terceiro filho, então eu criava jogos e atividades para incentivar a leitura, livros aqui em casa nunca faltaram. Ele também não conseguia fazer cálculos simples de matemática. Ao mesmo tempo, sua expressão oral sempre foi muito boa, e entendia muito bem e memorizava o que via em vídeos. Fazer estudos em casa era um tormento, eu tinha que ficar com ele o dia todo e, com frequência, ele ia para a escola sem ter feito tudo. Copiava errado do quadro. Na última semana do seu primeiro ano, ele nem foi mais para a escola: estava com urticária. Os irmãos sempre praticaram esportes com destaque. O Vítor tentou fazer futebol: um desastre.

Com tudo isso, desconfiei de dislexia e déficit de atenção. Procurei uma neuropsicóloga que fez uma investigação bastante completa, com uma bateria de testes que durou mais de um mês. Todos esses problemas foram descartado. Ela me disse que ele tinha altas habilidades, e só, e que deveria ser acompanhado por uma pedagoga.

Chegamos até a Beth, screener aqui de Maringá, para acompanhar as altas habilidades. A Beth diagnosticou Irlen moderada a severa, além das altas habilidades. Como todos os pais, ficamos com os dois pés atrás, mas resolvemos fazer o teste com o overlay e os cuidados gerais com a luminosidade do ambiente.

VitorFizemos cadernos coloridos e fornecemos sulfite colorido para a escola. A melhora já foi notável. Fomos para Belo Horizonte e fizemos os óculos. Como ele tem muita miopia, não fica sem os óculos nunca! A miopia tem o lado bom e o ruim: temos que passar pelos procedimentos duas vezes ao ano porque a miopia tem aumentado muito. Por outro lado, ele está sempre com os óculos, o que fez com que tudo isso que eu relatei sumisse da vida dele.

O Vítor já usa óculos há quatro anos. Está muito bem na escola, consegue organizar suas tarefas, não precisa de mim, anda de bicicleta, joga basquete, faz teatro, faz plastimodelismo, brinca em piscina, já viajou com a escola, com o time de basquete, com o grupo de teatro, tudo sem ninguém da família. Essa autonomia me parecia quase impossível! Ele não tem muita paciência com a leitura e a escrita, principalmente a ortografia. Por isso, a Beth continua acompanhando, e nós também ficamos atentos. Acho que meu filho é um exemplo perfeito de que todas as recomendações quanto à SI funcionam, porque seguimos tudo à risca. Ele é, de verdade, outra criança com os óculos.

 

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