Vivian – a história de Nikolas até a descoberta da Síndrome de Irlen

Meu nome é Vivian, meu filho chama-se Nikolas é disléxico e tem síndrome de Irlen.

Vivian_NikolasNikolas sempre apresentou dificuldade com a linguagem, escrita, comandos múltiplos, distração excessiva e outras características da dislexia. Assim, por conta, primeiramente, de atraso na fala procuramos uma fonoaudióloga. Contudo, após quase 03 anos de acompanhamento ele não superava algumas dificuldades e como no período de alfabetização surgiram novos obstáculos. Em 2007, procuramos ajuda de uma psicóloga e também de uma psicopedagoga, a Beth, que no decorrer de alguns meses diagnosticou a dislexia.

Confesso que esse diagnóstico foi para mim um alívio naquele momento, pois tudo que eu desejava naquele contexto, era saber o que meu filho tinha para podermos ajuda-lo de forma assertiva. Mas aprendemos que nessa área os resultados nem sempre são exatos nem rápidos, o que exige muita paciência e perseverança. A verdade é que foi muito difícil todo o período da escola, pois mesmo com os acompanhamentos ininterruptos com diferente profissionais (e até com o uso de Ritalina por cerca de dois anos) seu desempenho não correspondia ao esperado, uma vez que o Nikolas tinha um ritmo próprio que não condizia com o exigido pela escola. Diante da situação, tivemos que procurar uma instituição de ensino que fosse menos tradicional e que estivesse disposta a tentar atender as necessidades individuais do meu filho, o que não foi fácil porque de modo geral nossas escolas não estão preparadas para essa realidade.

Ao muda-lo de escola, conseguimos mais tempo para a realização das provas e diante, de progressos e retrocessos, com o passar do tempo e/ou diante de alguma mudança nos profissionais que lá trabalhavam sempre tentávamos novas adequações. No entanto é necessário pontuar que para termos assistência também era necessário muita pressão, muita briga, literalmente, pois muitos dos profissionais não compreendiam e/ou não acreditavam na dificuldade do Nikolas. Além disso, muitas cobranças recaíam sobre nós, os pais, por isso a apresentação de laudos precisava ser constante.

Ao chegarmos ao Ensino Médio, em 2014, buscamos novamente o acompanhamento de Elizabeth, esse novo laudo confirmou a dislexia acentuada e nos trouxe uma novidade, a Síndrome de Irlen. O mais rápido possível dirigimos-nos a Belo Horizonte e por três dias fizemos todos os testes que confirmaram o diagnóstico. Com esse novo diagnóstico o Nikolas começou a usar o óculos e a escola cedeu, além das avaliações mediadas e com mais tempo para a realização das mesmas, um escriba sempre que necessário.

NikolasO Nikolas usa o óculos desde então e não teve dificuldade em se adaptar, pois lhe proporciona muito conforto. As melhorias na leitura ocorreram, mas confesso que não corresponderam as nossas expectativas, mas como o Nikolas também é disléxico sabemos que há outros aspectos e dificuldades envolvidos.

Em resumo, tenho muito orgulho da História do Nikolas, da forma como ele encarou tudo isso, como ele aceitou todo acompanhamento com uma paciência admirável, pois seu posicionamento com relação ao apoio que ele precisava lhe proporcionou o alcance de um desenvolvimento significativo, além disso, ele é inteligente, extremamente crítico e observador e é motivo de muito orgulho e inspiração para mim e toda nossa família.

O assunto “escola” foi e continua sendo delicado em nossa casa, mas como mãe posso declarar que muitas vezes me senti culpada, por vezes perdi a paciência e até a fé, mas ao ver meu filho feliz se tornando um homem independente e íntegro tenho a certeza que cada minuto de auxilio com as tarefas, cada centavo investido, cada visita às escolas, cada briga travada valeram a pena.

Um abraço a todos que tem uma história similar a minha.

Anúncios